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Luana Génot – A mulher que é referência na luta pela igualdade racial

 

“A mulher preta empreendedora”. É assim que Luana Souza Martins Genót direciona a forma como deve ser identificada. Conhecida na mídia como Luana Genót, essa carioca de 32 anos, com pele alva de veludo e rosto de boneca acumula uma vivência muito maior do que se imagina.

Luana cresceu no bairro da Penha e estudou em Nova Iguaçu. Sempre determinada e muito dedicada aos estudos, ela mudou o destino dela e de todas as pessoas que fazem parte da sua rede, sejam como colaboradores de sua empresa, sejam como pessoas que se inspiram com suas palavras e ensinamentos.

Quando pequena, aos 9 anos teve que mudar de escola porque a cor preta da sua pele e o cabelo a tornavam alvo de ofensas racistas por parte dos seus pares. Este episódio evidenciou a questão racial com que Luana teria que conviver, em uma construção crescente de entendimentos. Anos depois, chamou sua atenção ter descoberto um autorretrato onde aparecia loira com olhos verdes; era ela uma menina que, assim como todas as crianças pretas da década de 90, assimilava os desejos de beleza que consumia em programas de TV e nas bonecas que tinha para brincar, 

onde sua maioria era composta por bonecas brancas e as poucas pretas que existiam eram super pretas, sem variação de tom de pele, o que deixava evidenciada a falta de representatividade da mulher preta na infância.

Quando pequena, aos 9 anos teve que mudar de escola porque a cor preta da sua pele e o cabelo a tornavam alvo de ofensas racistas por parte dos seus pares.

Ao entrar na adolescência, foi convidada a ingressar em uma agência de modelos. Apesar dos traços perfeitos e do corpo magro e dentro do padrão estético da época, Luana sofreu preconceito por ser uma mulher preta, tendo sua imagem associada somente a trabalhos ligados a temática africana e sem oportunidades para o casting de cabelos, por exemplo. Algumas passagens marcaram sua história, como quando escutava “nossa, que exótica” ou “você é muito bonita, só tem um problema, é negra”.

O sentimento de exclusão alertou Luana de que algo não estava certo e despertou um senso de responsabilidade em mudar o cenário caótico em que toda a sociedade estava (e ainda está) mergulhada. Luana foi estudar questões relacionadas com a identidade e a igualdade racial durante todo o seu percurso universitário.

Em 2012 recebeu uma bolsa no Programa “Ciência Sem Fronteiras”, na Universidade de Wisconsin – Madison, nos Estados Unidos, onde especializou-se na área de raça, etnia e mídia. Nesta mesma época, trabalhou na agência de publicidade Burrell Communications, cujo foco foi o público afro- americano, e como voluntária na campanha de Barack Obama para a reeleição à presidência dos Estados Unidos.

Luana não parou aí, tornou-se mestre em Relações Étnico-Raciais com a dissertação #SimÀIgualdadeRacial: Análise Discursiva de depoimentos sobre raça no Facebook em março de 2017, e continua até os dias atuais levando conhecimento e trazendo uma reflexão urgente e necessária para a transformação da nossa sociedade para um patamar de igualdade de oportunidades em todas as esferas sociais.

Com este objetivo, fundou o ID_BR, uma ONG que atua na promoção da igualdade racial no mercado de trabalho brasileiro e pretende promover e estimular a diversidade étnico-racial no mundo corporativo.

O ID_BR é uma ONG que atua na promoção da igualdade racial no mercado de trabalho brasileiro.

Conheci Luana através de um vídeo repostado em uma rede social. Fiquei intrigada com a moça de batom escuro e cabelos descoloridos que falava com tamanha propriedade de temas tão sérios, e resolvi conhecer um pouco mais do seu universo. Quando entendi a dimensão desta moça, fiquei maravilhada com o tamanho das oportunidades que ela estava abrindo para várias gerações de mulheres.

O que Luana Genót está fazendo é construir alicerces firmes para um novo futuro, através da sua voz forte e incisiva, que fala tudo o que suas ancestrais gostariam de ter dito, se não tivessem tido sua voz silenciada. Ela é um símbolo de resistência, de luta e de fé; ela acredita na causa e sente cada vitória todas as vezes que enxerga um pouco da sua alma no espelho de todas as suas reflexões…

Salve Luana!

Maria Scarlet reverencia sua luz.

Senhoras e senhores, com vocês, Luana Génot:

 

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