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Crítica – Série: Big Little Lies

Três mães se aproximam quando seus filhos passam a estudar juntos no jardim de infância. Até então, elas levam vidas aparentemente perfeitas, mas os acontecimentos que se desenrolam levam as três a extremos como assassinato e subversão.

Começo essa resenha afirmando categoricamente que Big Little Lies foi uma das melhores series que eu já assisti. Elenco poderosíssimo na primeira temporada e ainda com um reforço de muito peso de Meryl Streep para a segunda.

Big Little Lies é uma série de televisão norte-americana de drama da HBO, criada e escrita por David E. Kelley. Os sete episódios da primeira temporada são baseados no romance homônimo de Liane Moriarty, todos dirigidos por Jean-Marc Vallée.

A primeira temporada da série foi lançada em 2017 e a segunda em 2019. A série recebeu aclamação da crítica e foi indicada em 16 categorias dos Prémios Emmy do Primetime, vencendo em 8, incluindo melhor série limitada.

Jean-Marc Vallée recebeu o prêmio de melhor diretor em série limitada, ao passo que Nicole Kidman, Alexander Skarsgård e Laura Dern, venceram como melhor atriz em minissérie e, melhores ator e atriz coadjuvante em série limitada, respectivamente.

A história começa revelando um assassinato. Só que o espectador não sabe quem morreu e, muito menos, quem matou. O roteiro da primeira temporada mescla o tempo presente e depoimentos de testemunhas à polícia com recursos de flashback para contextualizar tudo o que aconteceu antes do crime, exposto já no episódio de estreia sem revelar as identidades de vítima e assassino. Interessantes que como os flashbacks são contatos por diferentes pessoas, não dá para saber se são verdadeiros ou somente a visão, muitas vezes distorcida, delas mesmas.

A série se passa em Monterrey, uma cidade costeira (e super charmosa) da Califórnia e se desenrola com foco em três amigas (Nicole Kidman, Reese Whiterspoon e Shailene Woodley) que se conhecem por terem os filhos estudando na mesma turma no colégio. Somam-se a elas as excelentes Zoe Kravitz (linda filha do cantor Lenny Kravitz e a Mulher Gato do último filme do Batman) e Laura Dern. Como já comentei, na segunda temporada entra a sexta mulher na história (Meryl Streep) que dá uma nova energia ao enredo (e que energia…).

Mas não pense que a série fala apenas sobre um possível crime onde não sabemos nada sobre a vítima e sobre o assassino. Isso é só o gatilho para focar em temas espinhosos e cotidianos. A dinâmica da série é alucinante e cada personagem vem carregado de muitas questões internas, como também os relacionamentos entre praticamente todos os personagens. Por conta disso a série consegue permear por vários temas como relacionamento abusivo, estupro, equilíbrio familiar, relação com filhos adolescentes, relação de casais separados, e questões como por que uma mulher não pode ser bem-sucedida na carreira e como mãe ao mesmo tempo.

Com muito requinte na produção, as lindas e ensolaradas paisagens de Monterrey são sobrepostas pelas imagens com fotografia mais escura para fazer a combinação do que há dentro e fora das casas dessas famílias. Reese é quem entrega a interpretação mais surpreendente e coesa, mas Nicole não fica muito atrás, com um trabalho que cresce a cada episódio e rende cenas de muita entrega física e emocional com Skarsgård (achei ele sensacional na série).

Na minha opinião, uma série para ser boa, necessariamente tem que ter uma trilha sonora de muita qualidade. E neste quesito acho que Big Little Lies tem uma das melhores de todas. A música de abertura já é inebriante com a voz rouca de Michael Kiwanuka cantando Cold Little Heart. Confesso que em todas as séries vejo a abertura no primeiro episódio e depois eu pulo nos demais. Com Big Little Lies eu assistia a abertura em todos os episódios. Funciona tipo como um convite a uma imersão em Monterrey e no mundo da série. Mas a trilha sonora dita o ritmo de tudo. Muitas das músicas aparecem como escolhas da filha mais nova de Madeleine (Reese Whiterspoon), a pequena Chloe (Darby Camp), de apenas seis anos. É uma pegada soul pop, que também tem muito rock, com nomes como Elvis Presley, Rolling Stones, Alabama Shakes, Charles Bradley, Otis Redding e Fleetwood Mac, e vale muito conferir.

Big Little Lies é uma série feita para mulheres de todo o mundo, sejam elas norte-americanas e ricas ou não. As mensagens são necessárias e as questões abordadas ultrapassam quaisquer barreiras culturais e sociais, pois eles se tornam universais pela abrangência da origem de cada um, que é uma só: a falsa virilidade que sustenta a sociedade há séculos, o machismo impregnado. E é agarrando este conceito que as personagens criadas por Liane ganham vida de forma quase anacrônica.

Trilha Sonora: https://open.spotify.com/playlist/59nmPZQAE0dX44OF6DXDcE

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